Inaugurado Molhe Norte do Porto da Ericeira

A primeira fase das obras do porto de pesca da Ericeira, concelho de Mafra, foi inaugurada pelo ministro das obras públicas na passada sexta feira.

Trata-se de uma obra de 11 milhões de euros, que consistiu na construção do molhe norte, com pés de galo na parte exterior e um cais no interior, que veio substituir o velho molhe destruído pelo mau tempo em 1987, o que levou boa parte da actividade piscatória a transferir-se, desde essa data, para os portos de Peniche e de Cascais.

Os pescadores da Ericeira consideram que o novo molhe “já passou a prova dos nove, ao aguentar ondas de sete e dez metros”, no passado inverno.

“Está bom! O molhe está bom, tem que se dizer o que é, já não parte mais! Está espectacular, já não parte mais!”, garantiu o mestre Dário Lopes, da embarcação Flor do Mar.

Apesar de considerarem que o novo molhe norte está bom, os pescadores da Ericeira manifestaram o seu descontentamento, pelo facto de a rampa de acesso das embarcações ao mar se encontrar “partida, com sulcos e buracos que já partiram as quilhas de algumas embarcações”.

O problema, segundo contam, é a rampa que foi destruída, alegadamente, pelas pedras do estaleiro deixadas ao abandono dentro do porto de pesca da Ericeira.

“A rampa não tem condições nenhumas. Já parti ali três robaletes (quilhas) e arrebenta os barcos todos”, garantiu.

“A rampa está partida, o tractor vai lançar o barco, puxa o barco, arranca e parte tudo. Está uma vergonha”, explicou o mestre da Flor do Mar.

“Deviam arranjar isto como deve de ser, a gente tem isto que é uma vergonha”, sublinhou.

Cada quilha custa “50 contos, tem que vir um carpinteiro de Peniche, que não temos aqui carpinteiro, e o barco tem que parar uma semana”, garantiu Dário Lopes.

Uma situação que levou a ânimos mais exaltados de protesto e a que a inauguração do molhe norte fosse feita em clima de alguma tensão, devido aos protestos iniciais do pescadores, à chegada das entidades oficiais.

Outra crítica é o assoreamento do porto junto ao novo cais, o que impede os pescadores de ali atracarem e deixarem as embarcações.

O ministro da Obras Públicas, António Mendonça, salientou que a partir de agora a Ericeira “tem um molhe que protege as embarcações de pesca e cria novas condições também para pesca desportiva e cria condições de segurança”.

“Foi feito aqui um investimento de cerca de 11 milhões de euros e cabe aos agentes económicos desenvolverem a iniciativa e terem capacidade”, afirmou.

Quanto aos protestos, relativos à rampa partida, com prejuízo para a actividade dos pescadores, o governante afirmou que “esses aspectos serão objecto de análise e as obras serão feitas, mas isso é uma coisa ínfima relativamente à importância que tem a obra para a Ericeira”.

“Já há sinais de novo desenvolvimento, julgo que a actividade da lota indica que as capturas aumentaram”.

Para o ministro, apesar da situação económica que o país atravessa a segunda fase da obra “não está comprometida”.

“Apesar da situação as coisas não param, nós temos que continuar a ter actividade, continuar a fazer progresso, temos é que ser mais exigentes e mais selectivos relativamente à utilização dos fundos”.

“As coisas serão feitas no devido tempo a nossa preocupação é avançar é desenvolver não é estagnar”, sublinhou.

Para além do molhe, o IPTM consolidou as arribas da vila da Ericeira com estacas de betão projectado.

“Até à rampa está tudo consolidado. Falta-nos o troço final que está já em estudo de impacte ambiental. Temos projecto já definido para o outro molhe sul, e a questão da rampa também já está projectada”, explicou, por sua vez, o secretário de estado dos transportes, Carlos Correia da Fonseca.

“Agora é aguardar o tempo necessário para por isto a funcionar”, garantiu.

O valor global da primeira e segunda fase ascende a 35 milhões de euros e prevê a construção de um molhe sul, criando uma marina com capacidade para 200 embarcações, 100 em flutuação e 100 a seco, ao mesmo tempo que prevê a passagem da actual praia dos pescadores para o exterior do porto da Ericeira, junto ao novo molhe sul.

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Formação de 200 médicos anos foi um crime político

O director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Sul, Eduardo Mendes, considerou a formação de apenas 200 médicos, no passado, “um crime”.

Hoje fala-se muito na criminalização da política, esta foi um crime. Quando se permitiu que a nível nacional, reparem no que eu estou a a dizer, que a nível nacional nas faculdades de medicina entrassem duzentos alunos por ano, isto rebentou com tudo”.

Nesta altura em que se fala de criminalização da política é preciso lembrar que a formação de apenas 200 médicos foi um crime”, numa alusão aos governos de Cavaco Silva.

Para obstar à falta de médicos, a região de Lisboa e Vale do Tejo acaba de receber cerca de duas dezenas de médicos colombianos, 16 entre eles destinados a Santarém, dois para Arruda dos Vinhos, um para a Lourinhã, foi revelado na conferência sobre saúde, a que presidiu a ministra Ana Jorge, na Lourinhã.

A ministra da saúde adiantou que estão a ser formados “entre 1.500 a 1.600 alunos”, por ano, actualmente, o que permitirá resolver o problema da falta de médicos em Portugal “a partir de 2016”.

Se não fosse o aumento de médicos a pedir reforma, seria em 2014 que o problema poderia ser resolvido, mas, com o aumento de pedidos de reforma e a entrada de novos médicos, o problema deve estar resolvido em 2016”, explicou.

Ana Jorge respondeu a perguntas do público e explicou que são as populações mais frágeis e vulneráveis as que mais sofrem em momentos de crise financeira, pelo que “os serviços devem estar alerta para estas situações”.

Muitas vezes são os serviços de saúde os primeiros a detectar as pessoas em situação de carência”, sublinhou.

A ministra da saúde admitiu a possibilidade de as taxas moderadoras virem a aumentar, para quem recorre à falsa urgência, quando em 80% dos casos há um centro de saúde que pode dar resposta por perto.

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Contratos de Associação devem abranger escola pública

O estado, o ministério da Educação, “devia ter um contrato com todas as escolas”, defendeu o líder do PSD, Pedro Passos Coelho.

No final de uma visita ao Externato João Alberto Faria, em Arruda dos Vinhos, Passos Coelho afirmou que os contratos de associação das escolas privadas “devem ser extensíveis à escola pública”.

“Os contratos de associação, verdadeiramente, deviam ser extensíveis às escolas todas, o estado, na sua rede estatal, devia contratualizar com as escolas os meios, os objectivos, as metas, e depois cada escola devia poder mostrar que é capaz de os cumprir”, defendeu.

“Aquilo que às vezes se faz mais parece como castigo, para as escolas que não são da rede estatal, em bom rigor, era o que devia acontecer com as escolas todas”, adiantou.

Para o líder do PSD os cortes na educação “não podem ser cegos, nem preconceituosos”.

“Nós só vamos conseguir, nos próximos anos, vencer esta crise, que eu sei que vamos vencer com sucesso e fazer as reformas na educação, se tivermos confiança uns nos outros”, defendeu.

“Não é a olhar de soslaio uns para os outros, e a supor que, se não for o estado, toda a gente faz mal as contas e se aproveita. Até hoje, quem piores contas tem feito, é o estado, não são as escolas que se têm virado do avesso para conseguir desempenhar bem a sua missão”, apontou.

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